Pesquisar este blog

domingo, 19 de julho de 2009

Revoltas 1968- 40 anos depois



Imagem apenas ilustrativa, mas que tem a ver com "nosostros " que vivemos essa época.

Na foto, uma garotinha ,em Sorocaba,examina atenta o livro do Professor,escritor e poeta Luiz Lyrio-Embaixador Universal da Paz pelo cercle de Les Ambassadeurs univ.de La Paix - que foi relançado na "Semana do Escritor".

Trata-se na segunda edição(Editora Mazza) ,revista e ampliada, que narra os aconteciementos de 68, e a prisão di autor, então um estudante secundarista (*).

______________XXXX-------------------------XXX_______________________


Leiam esses interessantes assuntos sobre 1968, por exemplo, em :

http://www.goethe.de/wis/bib/prj/hmb/the/fol/ptindex.htm



"Ensaios para o diálogo cultural entre a Alemanha, a Península Ibérica e a América Latina

Revoltas 1968... e quarenta anos depois

1968 é muito mais que um movimento estudantil: sinônimo de um fenômeno de alcance mundial e ao mesmo tempo altamente heterogêneo, simboliza a rebelião contra as estruturas autoritárias e a favor de uma compreensão participativa de democracia. Representa a politização social e ruptura rumo à autodeterminação.
2008 proporciona a oportunidade de uma retrospectiva dos acontecimentos que são considerados, aclamados e festejados também como mito fundacional da República Federal da Alemanha, ainda que tenham sido ocasionalmente alvo de críticas veementes. Nos últimos meses, produziu-se uma verdadeira avalanche de contribuições sobre o tema, fazendo com que os sentimentos aflorassem de novo à pele. Leia mais

Sua opinião é importante para nós. Fale conosco!
kulturzeitschriften@goethe.de



Revoltas 1968… e quarenta anos depois

Revoltas 1968… e quarenta anos depoisTrópicos adentroApropriações da cidadeRealidade?De mundos entre os mundosReligiãoFutebolTerritórios do barrocoComer e ser comido
Pesquisa

Signos da "guerra revolucionária"
Argentina, 1968. Frente a reconstruções retrospectivas que harmonizam o Maio francês com a Primavera de Praga e as rebeldias latino-americanas, é preciso restituir os relevos ásperos e contraditórios desse tempo histórico. De Hugo VenzettiLeia mais ... Construindo a autodeterminação

Sobre a revolta brasileira, a luta armada contra a ditadura e seus frutos tardios. De Maria Paula Nascimento AraujoLeia mais ... Rememorar uma revolta?


No outono de 2007 foi inaugurado na praça de Tlatelolco o „Memorial del 68“, um recorrido museístico e de multimídia pelas revoltas estudantis, antes que elas fossem sufocadas no dia 2 de outubro de 1968, terminando num massacre sangrento. De Anne HuffschmidLeia mais ... Democracia no país e democracia em casa


Embora a discriminação formal da mulher na política e na vida pública tenha sido quase que eliminada na maior parte dos países da América Latina, as estruturas patriarcais continuam sendo um empecilho para uma verdadeira igualdade entre os gêneros. De Barbara PotthastLeia mais ...

Muxe: o terceiro sexo
Justo no México, “país do machismo”, há uma localidade que se distingue nitidamente de suas cercanias: é Juchitán, a cidade com mais do que dois sexos".

Por Veronika Bennholdt-ThomsenLeia ...

----------------------------------

Contatos com o autor, para palestras, debates e compra do livro:
luizlyr@gmail.com

Novo blog:
http://luizlyr.blogspot.com

sábado, 11 de julho de 2009

Deborah Brennand-Poemas



Cecília
Costa


Deborah Brennand, 80 anos de poesia
11/10/2007


!Vivendo e descobrindo, sempre. Quando estive em Porto de Galinhas, recentemente, para participar da III Fliporto, na tarde de sábado, uma senhora, muito bela, com cabelos brancos amarrados e rosto expressivo, estava autografando seu livro "Poesia reunida", de mais de 700 páginas. Tratava-se de Deborah Brennand, a esposa do pintor e escultor Brennand.

Todo mundo, aqui no Sul Maravilha — que atualmente não é tão maravilhoso e mitificado quanto no passado, tantos são os problemas que nos cercam, tão graves quanto os do Nordeste — conhece Brennand e costuma, quase que obrigatoriamente, visitar sua casa e ateliê nos arredores do Recife, ao fazer um passeio turístico pela cidade que nos legou tantos poetas, artistas e escritores, banhada pelo Capiberibe e pelo Beberibe. Mas acho, lamentavelmente, que são poucas as pessoas, no Rio e em São Paulo — e eu me incluo entre elas, até há cerca de dez dias —, que sabem que Deborah Brennand é poetisa, tendo criado versos fortíssimos, de luxúria e lamento, enquanto cuidava de seu maridinho, filhos e netos, e de seu Engenho São Francisco.

Já que muito do que se passa no Norte e no Nordeste não ecoa, infelizmente, nas demais capitais do País. Territorialmente, somos grandes demais, talvez, o que faz com que as trocas e intercâmbios muitas vezes se percam no meio do caminho.

Por isso, eu considero muito importante a iniciativa do Governo de Pernambuco de ter aceitado a idéia de professores e pesquisadores da Universidade Federal do estado, ligados ao Grupo de Trabalho Mulher e Literatura, de reunir num livro os sete livros de poesia já publicados por Deborah Brennand, com a obra sendo um marco comemorativo de seus 80 anos. Entre as pessoas envolvidas no projeto, destaco o aluno bolsista Márcio de Oliveira, que estudou os poemas da grande poetisa pernambucana ao longo do segundo semestre de 2006 e escreveu o posfácio do livro; as professoras Luzilá Gonçalves Ferreira e Lucila Nogueira, que estão sempre a tentar quebrar o silêncio que envolve o trabalho literário das mulheres, e Flávio Chaves, Diretor da Companhia Editora de Pernambuco.

O tomo, com uma capa requintada em tom sépia e uma maravilhosa imagem angelical de Deborah na juventude, dentro de um oval, pode, apesar de sua beleza gráfica, assustar um pouco, por ter ficado extremamente pesado. Mas seu conteúdo, para quem ainda não teve a oportunidade de se aproximar da visceral lírica desta senhora, dona de voz poética muito pessoal e peculiar, é uma revelação. Rubra como a seiva de nossas veias, atordoante e dourada como o sol, triste como a mais negra solidão. Nele, estão reunidos os seguintes livros: "O punhal tingido ou O livro das horas de Dona Rosa de Aragão" (1965), "Noites de sol ou As viagens do sonho" (1966), "O cadeado negro" (1971), "Pomar de sombras" (1995), "Claridade" (1996), "Maças negras" (2001) e "Letras verdes" (2002). Contém também alguns ensaios, abrindo os livros, como o de Roberto Alvim Corrêa e Ariano Suassuna.

Acho que o melhor que fazemos, no caso de Deborah Brennand, uma octogenária cheia de vida, obcecada pela passagem do tempo, a prisão da alma e ventanias, é deixar sua poesia, doída e sanguínea falar. Por isso, vou transcrever aqui dez poemas.


Prisão

Vencendo muros de pedras
Flameja do sol o brasão
Ó real castelo em dia aceso,
Ó ruivas folhas do soberano verão
Ó tempo não apertes a corrente
Do meu sonho já agonizante
Crestada é a terra e perto
Deságua um rio de sangue
Na pastagem morta

Do meu coração


Cruel mensagem

Morto foi o sonho de um jardim
Por um verão servil, de cruel mensagem
E eu vi raízes, a vida agonizando,
Na lâmina acesa de um punhal.

Os musgos, as heras, as papoulas,
Manchavam a grama seca.
E lírios, junto ao sangue das rosas,
Magoados eram o pasto

De cavalos alheios e famintos.


Réplica de uma descendente
holandesa ao poeta César Leal

Se cheguei ao teu país, bem mereci.
Por mais que ocultes, domei perigos.
No mar pesado, em leves caravelas,
Minha pele feri nas lanças do teu sol.
A floresta brava, as facas nativas
Mataram em vão a aventura da minha raça
E, do ancestral sangue, quase desfeito,
Ressurge ainda, entre flores escuras,
A rosa nobre, alva e sucular.


Igual a mão

Velhas cortinas de renda
Por sonhos bordando brasões
Agulhas trançaram ouro e linha
Em sombras fugazes de flores
Fantasmas de um morto verão.

Cobrindo vidraças, embaçando a vida,
Escondes desvarios, alucinações,
Olhares perdidos de condessas
Caminhos ocultos na distância
E o vento forte, agitando o pano

Com a rudeza de sua mão.


Que será de mim?

Sol de fogo, luz rubra de medo.

Brilham verdes mil ramos de folhas.
O mormaço espanta vôos de sombras
e no sítio surge o canto da graúna.

O céu se queima em nuvens,
mas, nos canteiros de um jardim,
rosas saúdam o vento com pétalas
E o longe se vê agoniado
e de salsas roxas enlaçado
nos arames farpados da cerca.

Sol de fogo, luz rubra de medo,
se os montes tropeçam o que será de mim,
perdida, indo neste vale aceso?


De amarelo

Hoje devo me vestir de amarelo:
espantar os olhos negros da solidão,
tal a luz do girassol de ouro dourado
que abre pétalas iluminando nuvens.

Quem saberá (nem ela mesma) o artifício
usado para enganá-la? Sonhos? Jardins?
Não digo. Hoje me visto de amarelo
e vou, nos ramos, entoar da ave o canto.

Quero espantar olhos de solidão
que vem das grutas e abandona montes
para comer a relva rubra do meu coração.
Mas hoje, de amarelo, espantarei a fera

Fugindo, à procura de outra vítima:
Quem sabe, a mata?


Sempre

Assim, além da cerca, eu espero,
O quê? Não sei. Espero.
Embora só o vento chegue
todo arranhado, em gemidos,
caindo e já sem sentidos

Jogue aos meus pés as folhas secas.


Não é crime

O degredo das flores
da umidade da mata
para uma varanda acesa
em arcos verdes

É permitido.

Atar os ramos em sombras?
e desatá-los na colina
ou varrer as cinzas de fogueiras
Na clara tarde de março

Ainda, ainda

Mas aquele pássaro voltando
querendo entrar na gaiola
já do lado de fora, do lado das rosas
é uma afronta às nuvens e à brisa.

Assim, matá-lo não é
Crime.


Luto

Quem, vestida de negro, olha o mar?
No ombro, uma rosa de seda
agüenta a raiva do sol sem murchar.
Mas, um resto de vagas,
suja de sangue alvo
as quilhas dos barcos
amarrados em outra primavera.


Você prometeu

As vigas da casa
vão ser de aroeiras

polidas sem fim

Há sob as telhas
morcegos e aranhas

em traves puídas.


Depois, na multidão,
você me expôs de roxo.

Todos viram.

Ninguém disse:
— Esta não é a sua cor

E eu de vez entristeci.

Você esquece promessas:
ia erguer uma fonte

Jorrando céus


E nas lajes carcomidas
O pátio se alarga de vazio.

Na certa, ainda diz:

Ela é assim
Sabe viver sozinha.

Mentira

Agora mesmo me visitam
pombos, guinés, andorinhas

Que bela companhia.

(Página da ABI enviada por Lucila Nogueira, com os poemas , que recebi de Delanieve Daspet, embaixadora de Poetas del Mundo, no Brasil-em 26/10/2007 )

ABI (Associação Brasileira de Imprensa) - Rua Araújo Porto Alegre, 71 - Rio de Janeiro-RJ - CEP 20030-012 - Tel. (21) 2282-1292

Portais e Portais, aldravas-Clevane Pessoa









Amigos marianenses:Lázaro Barreto ,Poeta e escritor-mor de Divinópolis,MG comenta os poemas sobre portas e aldravas, escritos para os amigos aldravistas de Mariana, a primaz mineira..

Em:

http://www.clevanepessoa.net/blog.php

http://jornalaldrava.com.br



29/10/2007 01h12
Portas, Portais, Porteiras...Aos aldravistas de Mariana, MG


Porta Nova em Casa Velha

Clevane Pessoa de Araújo Lopes


para JB Donadon-Leal,
que coloca gênero novo em poiesis antiga: portas, portais, porteiras...

na madrugada de 15/09/2007
(Do novo livro em construção, Portas, Portais e Porteiras)

Porta & Aldrava
(Para Gabriel Bicalho, diretor do jornal Aldrava, que sabe bater à porta da Poiesis)
Clevane Pessoa de Araújo Lopes
A Aldrava crava sons cravos na espess ura da porta.
Sons agudos, sons c avos na tessit ura da aorta
-a veia maior, a que acompanha a sonância
da sístole
da diástole
e mesmo da extra-sístole
-aquela a mais.
Ansiedade
de
desconhecer quem virá
atender
e

de que forma será tratado, destratado, esperado
ou expulso - seja anjo ou demo
pura demonstração
de que, monstro ou puto de igreja
nem sempre, por detrás da porta
esterá aquela pessoa que se deseja.

A porta é uma aorta
que conduz o medo do degredo
e a esperança sem limitações.

A aldrava é uma vaga espécie de sino
com muitas formas diversas.

Há quem bata de qualquer maneira.
Há quem tenha aprendido a bater
e acalmar a ansiedade.

E alguns sabem quando ir embora,
sem demora,
por pura precaução.
E muitos, fogem em diparada
por medo de assombração.

A aldrava, impávida, estática,
somente entra em ação
se a toca qualquer mão...

Enfrenta o tempo impassível
e não decodificável.

E per/dura, dura guardiã,
século após século.
na madrugada de 15/09/2007
(Da série, Portas e Portais)

Portas e Portais
(Para Déia Leal- Andréia Donadon Leal-cujos olhos de pintar e as mãos de vi/ver, sabem das diferenças)
Clevane Pessoa de Araújo Lopes


Nunca se sabe o há que atrás de uma porta,
se um príncipe encantado, se a Moura Torta,
se a vida continua ou se a Morte já entrou.
A expectativa faz o coração galopar,
corcel de ventania, salamandra de fogo,
-ser bem ou mal recebidos, que importa
se todos os dias, a soleira não se lava,
mas se for lavada, a mesma entrada será?
Atrás da porta, uma mesa posta, uma mala feita,
o falso carinho, a afeição genuína...
Bater, campainha ou aldrava,
com os nós dos dedos,avisar
da chegada, no momento preciso.
Chegar e abrir, um ato de coragem
desapercebido e necessário,
no cotidiano dos vivos, sinais...

Aos que partem para a outra dimensão, portais...

em 15/09/2007, Madrugada (1:45h)

_________________________________________________

Nos filmes antigos de castelos e duendes a imagem da aldrava brilhava na escurridão ambiente, prenunciando os adventícios horrores e terrores que, em vez de nos horrorizar e aterrorizar, nos encantavam pelos auspícios, prenúncios e indícios de esclarecimentos de tantos mistérios que habitavam(e habitam) nosso subconscinte. Louvor, pois, ao poema de Clevane, louvando o movimento literarios aldravista de Mariana, que logo no início de seus portais já elimina os elementos mórbidos do filme de terror, para descortinar o que há de mais fúlgido e belo dentro dos castelos de sonhos e venturas de antigamente, onipresentes no clima marianense. Parabéns a todos! Lázaro(*)

O amigo Lázaro Barreto,grande prosador e poeta mineiro de Divinópolis

------------------------------------------------
Querido amigo Laz:atualmente, o que vc escreve, é uma espécie de remedinho , para alegrar-me com suas doses de luz...
Obrigada;
Cle

Essses poemas foram publicados na antologia Poetas do Brasil, organizada por Ademir Bacca, do Proyecto SUR-Bento Gonçalves.

Imagem: flutuante.files.wordpress.com/.../aldraba2.jpg

A imagem pode ter direitos autorais.

Veja abaixo a imagem em: flutuante.wordpress.com/2009/01/

"Aldrava ou aldraba, do árabe ad-dabba"

Poetas amigos falam sobre gatos, Nara Leão e assuntos afins.

clevane pessoa de araújo lopes
para Marco Aurélio Lisboa

data27 de outubro de 2007 10:49

assuntoNARA/// Trovas
enviado por gmail.com





Rs...O Everi Carrara do telescópio, ainda a cultua.Eu era comparada com ela por ser magrinha e de joelhos redondos, cabelos lisos e pretos...rss...Voz pequenininha...Muitas trovas e poemas no NUME(*) sobre isso...Qdo achar, enviarei.Se achar, mudei tanto,que apesar de guardar TUDO, nem tudo chegava ao destino porque os embaladores detestam "papel" e usam para embalar, calçar embalagens,ou jogam fora...
Mas gosto muito ,principalmente,da pessoa forte que Nara foi e da forma que se posicionou contra a ditadura, enquanto outros se acomodaram.
Vc já viu, no site do Everi, sua musa? Ele instituiu o troféu Nara Leão, que foi entregue em Montevidéu, no começo deste ano.
Tomara que vc e Wal possam ir a Mariana em dezembro, pois gosto de meus amigos "inteligentes' por perto, vcs, Brenda, os aldravistas....Rss...O que mais me irrita em eventos é a mesmice, a caretice ,a vaidade ridícula, o egocentrismo , a inveja etc,etc,etc...Há tempos, ando decepcionada com o ser humano.O tio da Karina, minha nora, que é um daqueles gêmeos escritores,os Leos , escreveu "Os TERES Humanos"(em vez de serem, querem ter)...
A taquicardia é que tem me prendido e a md mandou ficar "de molho", pode ser labirintite, mas penso que não é.
Mandou ficar longe da internet, mas hoje, entrei ...rss
Abrs:
Clevane

(*)NUME:Núcleo Mineiro de Escritores, onde tomei posse aos vinte anos, em Juiz de Fora.


Em 27/10/07, Marco Lisboa escreveu:

"Eu vou gostar muito de voltar à Mariana. Dezembro é um mês que tem a agenda cheia: formaturas, festas, etc.,então é preciso que você nos avise com antecedência. Eu gravei o especial da Nara em DVD. Eu estava naquele show que ela fez em 77, na Praça Tiradentes, com o Dominguinhos. O Fagner apareceu para dar canja. O nome dos shows era quarta seis e meia, salvo engano. Ela foi a minha musa inatingível, aquela garota que a gente sabia que nunca ia conseguir namorar, mas era o meu ideal. Abração


clevane pessoa de araújo lopes escreveu:

Marco:

Obrigada, amigo...
A trova dos gatos pardos ficou escrita sem o último verso, daquela série que eu te disse haver escrito sobre eles.Há um , onde o bichano está em telhado de vidro e não achei rima adequada ao contexto , então, vou mudar...Depois te mando a seleção.
Seus haikais felinos também devem estar lindos.Qdo for publicar meu livro de trovas, vou dedicar as da gatolândia a alguns amantes dos felinos, vc e Wal ,entre eles.
Gosto de observar gatos e pássaros, inestimável ´presente da natureza...
Não vou ao Rio, não fui à Lagoa do Nado..
Vou acabar virando ermitã...
Brenda e eu temos um compromisso de apresentação em Mariana, em dezembro(ela apresentará o Poemachine, que levou a Chicago e Paris), então avisarei vcs, mas desta vez quero ir um dia antes ou sair um dia depois, para visitar tudo.Viajar com alguém , mexe menos com meu inconsciete, que deve ter registrado:mãe saiu, morreu de acidente.Marido voltando, morreu de acidente...Conscientemente, não tenho medo, mas perto de viajar, somatizo...Então, como foi da outra vez, irei com Brenda e talvez fique mais fácil.
Ontem vi o revival com Nara leão e lembrei muito dos Anos 60.Já não se fazem jovens como antigamente...
rss...
Abrs:
Clevane


Em 27/10/07, Marco Lisboa escreveu:

Aquele trova dos gatos que são bardos é antológica. Também gostei muito da imagem:asas de rosa engastadas em cetim. Os felinos são o resultado mais perfeito da seleção natural. Dentro de cada gatinho mora uma pantera que é preciso ser poeta para ver. Eu adoro ficar olhando os seus movimentos, a sua incrível precisão. Eles são poetas em tempo integral. Abração.

clevane pessoa de araújo lopes escreveu:

26/10/2007 19h27
Trovas de clevane
Marco:
Gislaine Canales pediu-me dez trovas para seu cadastro de trovadores de Poetas del Mundo e mandei .Para vocês, hoje,as quatro abaixo :


TROVAS



Gato pardo e belicoso
Arqueia o corpo robusto,
Projeta as unhas,raivoso
Vira um puma no seu susto

Clevane

.
Gatos à noite são bardos
E miam versos para a lua
Dizem que então ficam pardos
parecem da cor da rua...

Clevane Pessoa

04/01/2006

Pessoas bem carinhosas
Sentem apreço por mim
Porque tenho asas de rosas
engastadas em cetim.

Clevane


Não padeço de ousadia,
Comedida,pés no chão,
Encontro muita alegria
Nos vôos da imaginação.

Clevane


Publicado por clevane pessoa de araújo lopes em 26/10/2007 às 19h27

Belo Horizonte-Clevane Pessoa




Belo Horizonte


Quando João Paulo I veio a Belo Horizonte, nos Anos 80, exclamou, em Português sobre o "Belo Horizonte" da capital mineira. Tempos depois de sua vinda, as rádios ainda faziam ouvir essa exclamação, com sotaque.

A idéia de uma cidade planejada foi encampada por grupos ligados à cafeicultura, das Zonas da Mata e do Sul de Minas que batiam de frente com os ligados às regiões e ações das mineradoras.

Logo no início do Regime Republicano Brasileiro, a cidade foi criada no espaço conhecido por "Arraial do Curral Del Rei", escolhido pelo presidente Afonso Pena, que hoje empresta o nome à Avenida central da cidade, que sobre até a cita serra, região mais fria e de onde se divisa os muitos prédios, os aglomerados habitacionais e o horizonte.

No parque das Mangabeiras, ao pé da cita serra, um belo pulmão verde, com flora e fauna típicos, sobe-se num pequeno ônibus até ao mirante, onde se tem a impressão de poder tocar o céu e de onde a capital é admirada por turistas e moradores apaixonados.

Há, no centro da cidade, o Parque Municipal, ao lado do decantado "Palácio das Artes", de onde a vida artístico-literária acontece. Há cinema, teatros, jardins, salas de exposição e todo um complexo que permite o atendimento a gostos variados: da música clássica, óperas à popular, saraus, dramaturgia, lançamentos de livros, enfim, um belíssimo, moderno e funcional point de convergência para os aficionados. Alguns artistas e poetas costumam dizer que lá é sua casa, onde lancham, almoçam, trabalham e se divertem e tomam banho cultural.

A Prefeitura Municipal mantém vários espaços em pólos distintos, em especial bairros mais distantes, clamados "Centros de Cultura", onde um leque de opções se apresenta a comunidades e seus públicos de diversas faixas etárias e de interesses.

Sempre houve forte pressão política e das elites mineiras, para que a cidade planejada para ser a capital do Estado tivesse autonomia político-administrativa.

No planejamento inicial, a cidade seria abraçada por um anel, a Avenida do Contorno, mas o crescimento acelerado fez com que, a capital mineira, cercada de distritos e bairros adjacentes não existentes na planta original, formasse o que hoje é denominada "A Grande BH", mas ainda, porque a cidade não comportou uma zona de industria pesada e então, através de decreto (em 1941, de número 770), criou-se oficialmente a "Cidade Industrial".

No centro da planta original, há a "Praça Sete, que não tem características tradicionais de "pracinha", com flores e verde e sim, é um espaço urbano, circular, para onde convergem o traçado das ruas paralelas e onde cruzam duas grandes e importantes avenidas: a Afonso Pena e a Amazonas. Exatamente no centro, fica um monólito, obra a que o povo denominou "Pirulito". Os esotéricos também acreditam que sobre ela, existe uma cidade paralela, de outra dimensão, espiritual.

Próxima, fica a igreja São José, que faz parte da história de movimentos e reivindicações dos belorizontinos, por exemplo, o grande movimento nos Anos 80, para que mulheres não fossem assassinadas por traição, os cônjuges beneficiados por uma situação chamada "crime em legítima defesa da honra", livres de cumprir pena. O movimento "Quem Ama Não Mata" logrou êxito.

Na região de Venda Nova, fica um local aprazível, maravilhoso, com árvores seculares e sete nascentes, chamado Lagoa do Nado. Aí funciona um dos Centros de Cultura mencionados. A Lagoa propriamente dita é muito bela, com tartaruguinhas, patos e gansos. Das árvores serradas para a construção de alguns imóveis necessários ao funcionamento de teatro, sala mult-meios, bibliotecas, parte burocrática, etc, o artista Mestre Tibhau esculpiu cabeças grandes, onde estão situadas miniaturas de favelas, em singular interpretação da interação humana com aglomerados urbanos. Os troncos esculpidos permanecem enraizados no solo. No espaço funcionam saraus poéticos, apresentações teatrais, dança, mostras de telas, danças ,musicais, pode-se ensaiar, assim quais os malabaristas, os equilibristas, os mestres de fantoches, etc. Um verdadeiro atrativo para os jovens, crianças, idosos.

O bairro da Savassi agrega vários movimentos populares, possui livrarias, restaurantes e cafés, é local de encontro de poetas e escritores, artistas. Os vivos, os mortos em forma de estátua. Lá foi lançada a mais recente revista literária, a 10 Faces, cuja entrada era uma banana devidamente selada. Dos adolescentes aos idosos, é um ponto público de encontros e ações.

Um dos passeios mais agradáveis é chegar-se à beira da Lagoa da Pampulha, onde existe o Complexo Arquitetônico criado por Niemayer. O famoso arquiteto, depois um dos magos da criação de Brasília, a convite de Juscelino Kubitscheck, à época prefeito em BH, trabalhou em conjunto com o paisagista Burle Max, com os escultores Zamoiski, Ceschiatti e José Pedrosa, além do píntor r muralista Cândido Portinari.

Esse complexo arquitetônico marcou a fase, a nível mundial, da Arquitetura Moderna, porque, principalmente, Niemayer gostava de linhas curvas. Ele afirmou:

"Não me atrai a linha reta, dura, inflexível, criada pelo homem.
O que me atrai é a curva livre e sensual que encontro nas montanhas de meu País, no curso sinuoso de seus rios, nas ondas do mar, no corpo da mulher perferida.
De curvas é feito todo o universo. O Universo curvo de Eisntein"...

A Igreja de São Francisco, baixa e doce qual um bombom, redonda qual um ventre grávido de mulher ou um fértil ventre de montanha, na Minas Gerais tão rica de minérios, pedras preciosas, criou muita polêmica, em especial para os tradicionais, em busca de torres altas e pé direito altíssimo. Cândido Portinari a decorou com a imagem de um São Francisco sério, perante todas as responsabilidades civis de uma nova capital, painel azul de azulejos – há não muito tempo, a Igreja foi escolhida símbolo da cidade. O fundador da Ordem dos Franciscanos convive serenamente com a imagem de Iemanjá que emerge das águas atestando o sincretismo religioso brasileiro – ela representa Nossa Senhora da Conceição, para os católicos, que assim, aceitavam os deuses africanos.

Para a Lagoa da Pampulha conflui a população para a queima de fogos do reveillon, para a maratona internacional , aos sábados para a Feirinha de artesanato e a criançada para o parque Guanabara, onde a montanha russa e o carrossel são uma tradição.

No momento, estrela de um novo tempo, é o Boulevard na Praça da Estação, agora um pólo de apresentações artísticas e literárias bem perto da antiga Serraria Souza Pinto, onde acontece a feira do livro, que vai ser Bienal.

Neste ano de 2007, comemora-se o centenário de Oscar Niemayer, e eu, que em novembro, serei agraciada pelos 50 anos de luta pela Poesia, com o Colar de Mérito da Câmara Municipal de Belo Horizonte, fiquei encantada em saber, ao receber a comunicação, de que o patrono da solenidade será justamente ele. Alegria e honra adicionais, pelo poeta das formas arquitetônicas.


Clevane Pessoa de Araújo Lopes
Poeta Honoris-Causa pelo Clube Brasileiro de Língua Portuguesa para oito países lusófonos, Representante do aBrace na capital mineira.
Belo Horizonte, MG, novembro de 2007 - Brasil

Este texto foi publicado na recista Internacional aBrace e escrita a pesodo dos diretores, Roverto Bianchi e Nina Reis.

2º Concurso de Haicai Masuda Goga






2º Concurso de Haicai Masuda Goga


A Associação Cultural Nikkei Bungaku do Brasil, em parceria com o Grêmio Haicai Ipê, promove o 2º CONCURSO DE HAICAI “MASUDA GOGA”, aberto ao público em geral, com o objetivo de divulgar o haicai.

Masuda Goga (1911-2008) foi mestre de haicai em japonês e português. Jornalista, escritor e artista plástico, ajudou a fundar, em 1987, o Grêmio Haicai Ipê. Em 2004, recebeu o “Masaoka Shiki International Haiku Prize”, por seu esforço na divulgação do haicai no Brasil.



Definição de Categorias




Infanto-juvenil: participantes de até 14 anos de idade
Adulto: maiores de 15 anos


Condições de participação




Cada participante poderá inscrever apenas um haicai, inédito e de sua própria autoria.
Para os efeitos deste concurso, entende-se por haicai o poema composto por três versos (5, 7 e 5 pés métricos, ou próximo disso), citando obrigatoriamente um dos temas do concurso.
Os trabalhos devem ser escritos em língua portuguesa.
A simples participação no concurso, mesmo que não ocorra a classificação, implica na aceitação das condições aqui estabelecidas.
Os participantes classificados concordam em ceder, de forma irrevogável, os direitos autorais do trabalho apresentado, sem nenhum ônus para os organizadores, que dele poderão fazer uso sem consulta prévia.
Fica vedada a participação de membros do Grêmio Haicai Ipê ou da Associação Cultural Nikkei Bungaku do Brasil, organizadores do concurso.
Os trabalhos inscritos não serão devolvidos.


Temas




O participante deverá escolher apenas um dos temas aqui propostos, elegendo-o para assunto de seu haicai.



Festival do Japão (Festival de cultura japonesa realizado anualmente em julho)
Ipê-roxo (Árvore cuja floração se dá durante o inverno)


Instruções para inscrição




A inscrição poderá ser feita tanto pelo correio como durante o 12º Festival do Japão.



Pelo correio: Em uma folha branca tamanho A4, imprima ou datilografe o haicai. No rodapé da folha, escreva seu nome, categoria (infanto-juvenil ou adulto), endereço postal, telefone para contato e email. Coloque em um envelope e envie para:


Assoc. Cultural Nikkei Bungaku do Brasil

A/C Concurso Masuda Goga

Rua Galvão Bueno, 805, Térreo

S.Paulo, SP

01506-000



Durante o 12º Festival do Japão: No formulário de inscrição disponível no estande da Associação Cultural Nikkei Bungaku do Brasil, preencha os dados solicitados e escreva o haicai no espaço correspondente. Introduza o formulário preenchido na urna do Concurso de Haicai “Masuda Goga”. O 12º Festival do Japão realiza-se durante os dias 17, 18 e 19 de julho de 2009, em São Paulo. Maiores informações: www.festivaldojapao.com.


Prazo de entrega




O prazo para entrega dos trabalhos encerra-se no dia 03 de agosto de 2009 (segunda-feira), valendo como prova de cumprimento de prazo o carimbo dos Correios ou o formulário entregue durante o Festival do Japão.



Seleção e julgamento




Os haicais serão avaliados por uma comissão julgadora composta por membros do Grêmio Haicai Ipê.
Os melhores trabalhos serão classificados até o 5º lugar em cada uma das categorias.
A decisão da comissão julgadora é irrecorrível.


Premiação e Divulgação




Cada classificado receberá, como prêmio, um diploma e um exemplar da revista Brasil Nikkei Bungaku.
Os classificados serão avisados, preferencialmente, por e-mail, e, na falta deste, por telefone, até 30 de setembro de 2009.
Os resultados serão divulgados pela internet, no endereço www.kakinet.com/bnb.
A cerimônia de premiação será realizada durante o mês de março de 2010, na cidade de São Paulo, em dia, horário e local a serem estabelecidos.
O classificado que não comparecer à cerimônia de premiação receberá o prêmio pelo correio.
Os ganhadores do 1o Concurso (2008)



Informações




Pelo email bnb@kakinet.com



Sobre a Associação Cultural e Literária Nikkei Bungaku do Brasil




Fundada em 1966, a Associação Cultural e Literária Nikkei Bungaku do Brasil (www.nikkeibungaku.org.br) é uma entidade sem fins lucrativos, cujo objetivo original era a promoção da literatura em língua japonesa produzida no Brasil. Recentemente, almejando uma maior participação da sociedade brasileira, passou a promover também a literatura escrita em língua portuguesa. Publica, com três edições por ano, a revista Brasil Nikkei Bungaku, onde divulga trabalhos em prosa e poesia de seus colaboradores, em japonês e português. Tem sede em São Paulo.



Sobre o Grêmio Haicai Ipê




Fundado em 1987, o Grêmio Haicai Ipê (www.kakinet.com/ipe) é a primeira associação de poetas brasileiros dedicada a estudar e praticar o haicai, pequeno poema de origem japonesa. Tem sede em São Paulo, onde se reúne mensalmente. Seus membros participam ativamente de iniciativas de promoção e divulgação do haicai em língua portuguesa, assim como da tradução e do estudo do haicai japonês.

Este artigo foi publicado em 11/07/2009 à(s) 8:55 e está arquivado na categoria Concursos.

Fonte:
http://www.kakinet.com

Navegue até lá...

Poesia feminina, Tortura e Vinho-Clevane Pessoa




Créditos das fotos dos muros da Casa da Poesia, de Yeda Schmaltz, são de Masé Soares, autorizadas pelo filho da poeta.E por ele, por e-mail, para mim , para uso sobre a mãe.

Yeda Schmaltz







http://www.clevanepessoa.net/blog.phh


07/11/2007 10h56
Poesia feminina, Tortura e Vinho...



Meu amigo, o grande, grande Poeta Lázaro Barreto, anda, do alto de sua jovem e ativa vida literária ,que soma mais de sete décadas, encantado, com a poesia da mulher, hoje, pois ela se permite apurar, decantar e descrever sua emotividade e sua sexualidade aberta e corajosamente.Tempo houve em que os sentires femininos-até seus orgasmos-eram descritos por homens.A ousada Sapho foi banida para Ilha de Lesbos.Eu, depois que entrei no promeiro "enta', comecei a livrar-me das pesias das antigas normas:moça não pode, não deve, não precisa...

E comecei a colocar em versos,. toda a beleza do erotismo.Continuo detestando pornografia, poique ela, para mim, não é bela, nem excitante.E amo a beleza, desde pequena.Justamente, pos não saber o que fazer com ela, virei poetisa, para melhor descrevê-la e retê-la em meu baú de pau-d'angola.

Na Internet, chamou-me a atenção a vibração de gênero da nossa amada Yeda Schmaltz, tão amada que morria enquanto fazíamos versos (ou, enquanto morría fazíamos Poesia?) para ela e por ela, quais fiéis a orar em igrejas e repassávamos seus poemas, como se fossem mantras.

Yeda falava bananas, verduras, bombons de licor .Dela, Lázaro leu versos em algumas das minhas referências a ela, e encantou-se com o título de um dos seus livros : "Baco e Ana Brasileiras" .Alusão deliciosa às "bachianas", talvez balzaqueanas, lobos e lobas, Villa -Lobos.Perguntou-me onde comprá-lo.Eu não sabia.A poeta morara em Goiás.

Tempos depois, Masé Soares que faz meus PPS e parece saber o que desejo para as imagens e midi, mandou me contar que , ao dar suas caminhadas, passava na Casa da poesia, assim chamada por ter os muros pintados com versos.Fiquei feliz ao saber que ,pertinho dela, estava a casa onde morara a sensual Yeda(ainda mora, pois poetas não morrem , não enquanto sua poesia é lida, dita, declamada, sentida, falo num poema) .Masé, que é um furacão de energia, disse-me que para fotografar esses muros, com sua máquina digital.Contou-me que o filho, Cristino, reside lá.

Foi lá, marcou uma entrevista sobere a mãe e, tempos depois, trouxe-me o e-mail.Ele não é muito de Internet, mas correspondeu-se comigo o suficiente para eu encomendar os livros da mãe, ele ainda tinha alguns.Autorizou publicarmos versos e fotos.Mandei-lhe o pedido do Lázaro.
O certo é que , numa tarde, estávamos em meu terraço a tomar vinho , pouco antes antes do almoço, Neuza Ladeira , sua filha Luiza , Wilmar Silva e eu.
Wilmar lia meu poema Trinta Anos sem Wlado.

Antes, eu escolhera, para meu evento "Poesia é Ouro "em março deste ano, organizado pela impecável e charmosa Karina Campos (*), os versos de "Alegoria da Tortura",poema, que saiu no número 3 de Estalo,a revista ,na página ao lado de desenho meu , a bico-de-pena,onde represento a tortura de um jovem,tem lá sua carga de dramaticidade, pede uma intepretação magnífica qual a sua.Nos Anos 60, atuando em jornal , a gazeta comercial de Juiz de Fora,em plena Ditadura e depois, no consultório, enquanto psicóloga, ouvi muitos relatos de tortura e, nesses versos, sintetizo muitas delas.

Mas acabei por optar por "30 Anos sem Wlado", no Roda ao Mundo 2006 , antologia organizada anual e já tradicionalmente por Douglas Lara, de Sorocaba que faz parte do Recanto das Letras e que fora publicada lá e aqui no blog, , na terceira década do assassinato do jornalista. O Poema que fora publicada aqui, no Recanto das Letras, na terceira década do assassinato do jornalista Wladimir Herzog.Na época, houve uma reação forte, de comoção, recebo centenas de e-mails.

.Esse poema, "Alegoria da Tortura ",que saiu no número 3 de "Estalo, A Revista" ,na página ao lado de desenho meu onde represento a tortura de um jovem,tem lá sua carga de dramaticidade, pede uma intepretação magnífica,qual a do editor, poeta e performer Wilmar.Já o li em sarau da estalo, com Luiz Lyrio, no Restaurante Cozinha de Minas, que nos ofereceu espaço ..


A opção por Trinta Anos sem Wlado resultou numa leitura de arrepiar.E realmente, pessoas choraram, em especial os jornalistas.Em especial a jovem jornalista do cerimonial ,Luciana Campos, que à custo, continha as lágrimas,para que não escorressem no lindo rosto.
Mas como venho parar no assunto tortura, se falava de poesia feminina erótica? Freud explicaria.Psicóloga ,poetizo, analiso :o título de um dos muitos livros de Yeda Schmaltz, é " Baco e as Anas Brasileiras".Baco, o deus do vinho e do prazer, tocador de flauta.Em meu livro Asas de Água há um poema sobre ele.Sobre Cristo a tranformar água em vinho....Associações psicanalíticas...

Tudo porque recebi, pela manhã, o poema abaixo (em azul), de Gaya, a doce e combativa (coisa de mulher, conciliar extremos!) Rozélia Scheifler Rasia, de Cruz Alta, RS, que preside a ALPAS XXI ( * ). A versejadora fala de doces de abóbora em forma de coração- invenção feminina, já se vê, a guloseima - e em calda de romã para descrever e comentar os solavancos do destino...Confiram abaixo que beleza e depois,leiam Yeda.Para que continue entre nós...

Clevane Pessoa de Araújo Lopes

Poeta Honoris Causa pelo Clube Brasileiro de Língua Portuguesa, para 8 Países Lusófonos.
(*) Karina camposm,musa de meu filho Gabriel, ao saber que a dançarina e intérprete, não poderia comparecer, leu ela prórpia, com muita graça e acompanhada ao violão por músico da banda Chévere, meu poema "Dançar é Escrever com o Corpo", oferecido à Companhia de Dança Contemporânea de Évora, Portugal,.


Belo Horizonte, 07/11/2007




Solavancos *

Rozelia Scheifler Rasia

Desenhei teu nome
em doces corações de abóbora.

Queimei os dedos em rósea calda de romã,
esculpi solidão no contraverso do espelho.

Retemperei medos e traumas,
reavivei perdas e sonhos.

Fiz salada com lágrimas do destino,
tomei ilusão em copo de nuvens.

Vesti mapas de saudade,
descobri no teu sorriso que a vida mentiu.

Brinquei de rei-rainha e pega-ladrão,
pesquei dourados em águas barrentas.

Cuspi sementes de pitangas
nos olhos das lembranças

Reinventei chuva e esperança
com gotas de fel.

Vida, metamorfoses, caleidoscópio,
amores, saudades, caminhos
música, magia, destino:
morte.

Se tua palavra fosse profecia,
Seriam estéreis os solavancos do destino.

Poesia publicada na Coletânea Somos Letras – ALPAS XXI – Cruz Alta – RS
Yêda Schmaltz (*)


1
Rasgo a língua em pedaços:
este amor e as palavras
sangram.
Coisa cheia de vida,
a linguagem: vinho.
Venha.
********










2
E as tuas mãos tão brancas,
lindas, minhas
e inalcançáveis.
Um sonho colorido:
esta vontade de tocar a bruma do ar
e de despir
o meu vestido.
********









3
Música, iluminura,
cavalos, bois e mulas,
flâmulas da infância.
Epidemia sem argumento,
fermento, as peles se eriçando:
inundação, dilúvio.

********









4
Perto do meu peito ele suspira.
Sorrimos um pro outro, a sós no leito
e nos entendemos, (oh, eleito!)
alma e corpo penetrados,
no reino da loucura e da mentira.

********









5
Quando o arco do ccelo vibra as notas
e eu me selo em ti,
na angústia de sê-lo.
Quando o arco do ccelo vibra as notas,
cavalgo flores de seda
nos teus pêlos.
Amo-te ao som de tímbales e sinos,
na alucinada canção
desses versos latinos.
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx









6. OFERENDA

Veio, no cheiro do tempo,
este tempo molhado
com pingos vermelhos.

Veio da terra sulcada,
na rosa de sangue
que não vai murchar.

Veio, no vento inconsútil,
nas asas do sonho,
no imo de mim.

Veio, no tempo das flores,
dos corpos salgados
de brisa e de mar.

Veio da pele sulcada,
o amor feito rosa
que eu quero te dar.









8. CONOTAÇÃO

Lápis-lazúli,
eu acho bem chic escrever
— é cor azul de se derreter.

Meu estigma de ser
envolvida por signi-
fi(n)cados.

O que você não diz
tem profundeza demais:
um raio de sol esfiapado.
********
Bilíngüe

Ó, meu Lorde, me leve para a Ásia,
quero Shiva.
Há todo um Festival
In My Heart, que assim escrito,
fica bem mais bonito
que No Meu Coração.

Me leve para a Ásia,
me chame de Gu Quin,
estou tão alone,
tão moon,
tão no silêncio de um bamboo!

Me leve para a Índia
e elefantes;
livre-me da prisão
desta caneta de Nankim.

Ó, meu Lorde, music!
E um: ai!
Gold in my body, man!
E trompetes and brushes.
E violinos.
Fly.









9 - SABER O AMOR

I

Saber o amor.
Saber o doce favo
em mel
se arrebentando.

Saber o travo
e o cravo e
o fel
se acumulando.

Saber o amor
sabendo a graça,
calor e frio;
o tempo, a traça
e a desgraça.

Saber o amor
— eu gosto! —
sabendo o gosto
da maresia dos olhos
escorrendo até
a boca.

II

Amor, uma aurora,
um desgosto,
um sol posto.
Amor: amora
negra e doce
que esmigalha
e escorre
e evapora.

Saber o amor
na boca — sabor
sabendo a sal
somente:
líquidos-amor.

(Cálice inafastável,
corpo e alma
esvaídos,
vinho e sangue,
hóstia em ofertório:
pão-meu-corpo.
— Inscreve meu nome
no Teu livro
e meu espírito!)

III
Saber o amor:
tocá-lo, pesá-lo
como se fosse palpável
a forma
que me cabe
informe.
Sabê-lo incabível,
impossível.
Saber o amor enorme.

Saber o amor
no tempo
e contá-lo em meses,
anos, vida e morte.
Saber do amor
a História.
Saber o amor
sozinho
e neurótico.

IV
Saber o amor
é se tornar pequeno
e se doar sem troca
— saber o amor
é oferecer.
Mas não se trata
de oferecer a boca
por saber
sabor de amor
e nem a castanha
entre as coxas
saberá do nós.
Saber o amor
é aquela unção
muito maior:
de nós, os fios
envolvidos,
ligados aos planetas;
estrelas em nós e luz
e sóis se acumulando.
Saber o amor:
O Cosmos.

Yêda Schmaltz



( * ) Tive alguns arquivos perdidos e os livros estão bem no alto da estante , suspensa na parede de meu quarto...Com a "cervical de renda", depois da queda, não posso jogar a cabeça para trás e olhar para o alto, sem pagar o preço da dor a posteriori.Então, valho-me do antigo e excelente "Jornal de Poesia", do Soares Feitosa, onde, na Revista Agulha, capto versos (rapto versos?) de Yeda snchmaltz....
Sei que o poeta soberano da palavra cearense não vai e importar.Aliás, seu site foi o primeiro a abrigar subsites de poetas convidados (inclusive eu, maravilha!), com direito a exposição de poemas, dados biográficos e até fortuna crítica (até hoje não enviei, de meu baú de pau d'angola,essas preciosodades que nos en/cantam a alma).Sem cobrar nada.Tudo feito com atenção e carinho, bom gosto e veracididade.
Visite:

http://www.revista.agulha.nom.br
http://www.secrel.com.br



E fecho com uma das minhas, que ofereço ao Lázaro, colecionador :


Indeléveis traços


Na cosmografia do corpo
Há traços indeléveis
De carinhos invisíveis
Entregas plenas luminosas
e recusas indevassáveis...
há gemidos calados
e soluços reprimidos...
há erosões camufladas
e arrepios apagados...
há canções maravilhosas
para os outros, inaudíveis...
No corpo que parece calado
Estão escritos do amado
-Sejam puras ou indecorosas
somente podem ser decifradas
as palavras de um amante
por quem conhece as fadas
as feiticeiras do bem
e a chave do segredo
nas mãos da alma retém...
Para os demais,
Hieróglifos estranhos
Mas para quem o Amor viveu,
São marcas d"água,de banhos
Tomados lentos a dois...


Clevane Pessoa de Araújo Lopes
(29092002-BH-MG)
Erotiquinha
Quando gozogozo,
bêbada do uso-ozo
com gosto de anis,
grito,arfo,fremente.

De mim mesma,corro.

Por um triz,não morro.

Eu,pequena bacia d'água.
Você,chafariz



Mais textos em meu Diário(blog):
http://www.clevanepessoa.net/blog.php

clevane pessoa de araújo lopes

Publicado por clevane pessoa de araújo lopes em 07/11/2007 às 10h56

Feed back da poeta e artista plástica Graça Campos:

"Clevane,

Essas "Mulheres Formosas, Senhoras dos Versos tão mágicos, profundos ...
São belíssimos os poemas... Toda essa poesia feminina é deliciosa!

(Indeléveis Traços, me encantei!)
Um abraço
Graça Campos"